27/01/2026 às 14:39 ARTE & CIÊNCIA - CULTURA

Retratos roubados - os desejos silenciosos no olhar

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15min de leitura

@orestes_alarcon orestesalarcon.alboompro.com/home blog retratos roubados

1.Título: "Retratos roubados...os desejos silenciosos no olhar”

O documento trata-se do planejamento de projeto para o desenvolvimento do Pós doutorado no CEART da UDESC

A princípio será desenvolvido um livro de pesquisa fotográfica com base em retratos - com ênfase no olhar, na textura, na composição, tons…, revelando especialmente como as pessoas fotografadas mostram seu interior e seu olhar para o futuro incerto. Como caminham juntas a Humanidade e a Humildade em busca da luta pela vida... os desejos silenciosos que o olhar revela                      

2.Drives de mudanças

Pessoal: se refere à transição do engenheiro, doutor e professor para a fotografia

Observador: perceber a fotografia como mudança transformadora, silenciosa e impactante para , 

3.Impacto

Sensibilizar e encantar os apreciadores e amantes da arte fotografica, estudantes e artistas, para que os mesmos possam perceber, aprender e incorporar, através de imagens e textos a beleza e as marcas inerentes à diversidade humana - o olhar marcante e revelador de seus sonhos conquistados e a conquistar com ênfase nas representações estéticas do que denominamos retratos roubados.

Livro foto/texto, didático, onde o leitor possa perceber e incorporar a beleza inerente à diversidade humana, forjada no seu modo de vida e na sua riqueza cultural e estética.

4.Outcomes

Fotografias com foco no olhar humanitário, com narrativas reveladas em condições socioeconômicas e ambientais diversos - no ambiente natural e no ambiente construído em que vivem

Textos realistas e poéticos concernentes com as fotos apresentadas em grupos distintos - pela região geográfica e pelo ambiente social, ambiental e econômico em que habitam

Discussões das fotos com orientação, voltadoa para arte, cultura e técnica fotográfica), na forma de textos com cada grupo distinto de fotos estruturadas em capítulos.

5.Outputs

Livro foto/texto, didático, distribuído em rede pública de ensino

Exposições públicas em galerias guiadas pelo autor

6.Conceitos balizadores: Arte fotográfica & Ciência & Cultura

LINHAS PRINCIPAIS DE CONSTRUÇÃO DE CONCEITOS: SOCIOBIODIVERSIDADE & IGUALDADE , TEORIA DA EVOLUÇÃO como driving force , ESTÉTICA, IMAGÉTICA E IMAGEM FOTOGRÁFICA...RETRATOS

Linhas principais de construção de imágens e conceitos: sociobiodiversidade como condição humana; estética e composição das imagens fotográficas com inspiração na história da arte - pintores que marcaram época; imagética como intenção de encantamento do observador;

Referências onde se inspirar…??? Bibliografia a ser pesquisada:

 Darcy Ribeiro: O povo brasileiro

João Ubaldo: Viva o povo brasileiro

Gabriel Garcia Marquez: 100 anos de solidão

Hemingway - Por quem os sinos dobram 

Pablo Neruda - poema enigmas

Manoel de Barros - poeta e contista do interior do Brasil

Hermann Hesse - Stufen... Estágios

Paul Valéry - O mais profundo é a pele

Carolina de Jesus - Quarto de despej0

Rauni - Memórias do cacique 

Referência de pessoas que me inspiraram e fizeram diferença na construção da cultura contemporânea: Bob Marley; Che Guevara, Mandela, Leonardo Da Vince,  Michelangelo, Annie Leibovitz, Pablo Neruda , Violeta Parra, Susan Sontag, Rachel Carson…

7.Atividades

Realização de retratos em diferentes ambientes e contestos, fotografando pessoas que expresam sentimentos forjados pela vida, preferencialmente em P&B e eventualmente a cores segundo critérios de grupos distintos ou capítulo do livro

Seleção e definição de grupos de fotos segundo uma lógica de capítulos; origens, regiões, classe socioeconômica, clima. as fotos serão feitas em diferentes regiões do Brasil, com enfase em povos originários ……

Edição das fotos selecionadas (60 fotos) 

Fechamento dos textos geral e específicos segundo cada grupo social ou capítulos

Diagramação das fotos e textos segundo critério de custo/benefício (60 fotos + 15 páginas de texto + 5 páginas de apresentação + 5 de respiro…85 páginas com capa dura

Definição de estratégia de marketing, execução e lançamento do livro

Orçamento de em gráfica de tiragem de 500 cópias

Busca de patrocinador a partir do livro digital

Execução em gráfica 

Lançamento e Distribuição 










Após 55 anos de intensa jornada como engenheiro metalúrgico e posteriormente como acadêmico - mestrado e doutorado na UNICAMP e professor na Engenharia Mecânica e Materiais na UFSC, Florianópolis - tento com muita força e vontade retornar à fotografia, virando mais uma vez a página da vida para um sonho ainda não realizado. Durante meu doutorado desenvolvi trabalhos importantes observando o pequeno mundo que forma os materiais, fotos microfotografia, com a abordagem científica de explorar com mais detalhes o mundo que o olhar não nos revela, chamo de imagética da natureza: imagem que a natureza nos revela com grandes aumentos em microscopia eletrônica e entender que a beleza da composição geométrica, nesse mundo micro ( 10 ]-1 á 10]-5 ); que aprendemos a admirar nas documentações artísticas reveladas pela teoria e práticas da fotografia e pintura - a arte básica da composição imagética: sempre presente no mundo micro como se fosse um bem universal. ****(esclarecer melhor - muito denso!!!) e se repete no universo...

Aos 77 anos tenho como lema a expectativa de planejar meus sonhos além do que realmente possa ser possível para mim - fazer o impossível e depois verificar se era mesmo!.

Neste estágio da vida estou recomeçando e procurando entender os caminhos da técnica e da arte fotográfica, como um novo desafio. Difícil para quem teve um percurso profissional baseado no raciocínio do engenheiro, que tem a objetividade como preceito fundamental e que não conviveu com a subjetividade da formação em artes.

O meu desafio agora nesta seara de novo aprendizado é conseguir entender como mudar o rumo do meu barco (sou também amante da Vela) para o novo desafio que fez eco na minha vida... fazer fotografia - ser fotógrafo e compreender cada uma de suas possibilidades no mundo da arte documental e, também, procurando outros caminhos que a arte fotográfica nos pode proporcionar.

A escolha do tema para o livro foto/texto "Retratos da Vida" visa conhecer melhor nosso povo retratando sua biosociodiversidade com atenção ao seu modo de vida e sua carga cultural e sua identidade, …..: inspirar em Darcy Ribeiro (1995)com seu célebre livro o Povo Brasileiro, em Viva o Povo Brasileiro de João Ubaldo Ribeiro (1984), 100 anos de solidão de GABRIEL GARCIA MARQUES ...

Como referências principais os livros "O Povo Brasileiro... Retrato de todos nós, publicado pela Folha de São Paulo (2024) e Retratos do Brasil Profundo de José Caldas (2010), CUBA Alberto Korda - FIDEL, CHE E HEMINGWAY, BOB MARLEY referências latinas e caribenhas QUE ACREDITAVAM NO SOCIALISMO e foram fundamentais para construir novas imagens e narrativas que me inspiraram na construção do livro Retratos roubados ... expressão, pele, tons e texturas, com a visão de humanidade e humildade, as quais rapidamente perdemos

Na peça A ideia fixa (1988), Paul Valéry empresta voz a um f ilósofo que, em conversa com o amigo médico, argumenta ser a pele o que há de mais profundo no homem. E, assim, Valéry coloca um paradoxo: o órgão mais superficial do ser humano é o mais profundo. A pele mantém um estatuto paradoxal: ela é simultaneamente dentro e fora, e, ao estabelecer uma fronteira porosa, coloca-se em posição de superar qualquer dicotomia de superfície e profundidade. Permeável e impermeável, superficial e profunda, lugar do bem-estar, da sedução, da dor e do prazer. A pele atrai investimentos libidinais, separa e une os diferentes sensórios. Por sua fragilidade, remete ao desamparo original. Por seu envolvimento e elasticidade, nos protege (Anzieu, 1989). Por seus poros, a pele é meio de comunicação, de trânsito e de trocas. Mas a pele também propõe limites do território de um e de outro. A questão da pele está em O livro de cabeceira, dirigido por Peter Greenaway em 1996



FOTOS SELECIONADAS A SEREM REVISADAS E RE EDITADAS

































ENTREVISTA


Quando a fotografia entrou na tua vida?

Em 1973 - quando me formei em engenharia e pude adquirir uma máquina fotográfica de um amigo tradutor intérprete de japonês. No momento trabalhava na empresa Siderúrgica COSIPA, que tinha um contrato de assistência técnica com o Japão. Uma NIKOMAT que foi como uma arma para alcançar alvos que se passavam à minha frente alimentando minha imaginação. O forte para mim era capturar imagens que me faziam sentir como um contador de histórias através de imagens que refletiam nossa sociedade da época, onde estava presente a falta de liberdade de manifestação, especialmente as culturais. Um momento onde a repressão era sobreposta à educação. Fotos de rua, fotos de operários da empresa e fotos de viagens com cara de gente eram meus temas.

Confesso que na época me perguntava se seria engenheiro ou fotógrafo??? A engenharia foi mais forte, mas consegui me dedicar também à fotografia amadora, fazendo o curso de fotografia no Cine Foto Clube Bandeirantes em São Paulo, que guardo em minhas lembranças…assim montei um laboratório P&B em casa e fotografava quando podia.  

Minha reflexão sobre fotografia inicia-se com a primeira vez que consegui expor em um concurso de fotografias - quando morava em Santos-SP, incríveis anos 70. Neste período de Ditadura Militar ser Engenheiro Metalúrgico na Companhia Siderúrgica Paulista - indústria fundamental para o desenvolvimento econômico do país… era um desafio importante para um jovem privilegiado de classe média e com a cultura política da época, na qual se acreditava na possibilidade utópica de transformação do mundo.

Neste período o engenheiro tinha também um papel crucial na construção da base política brasileira, participando ativamente da formação da consciência política ligada ao trabalhismo e a cultura marxista no nosso país. Era um desafio importante para um recém estudante universitário que tinha participado ativamente do movimento estudantil, que forjou corações e mentes de jovens estudantes universitários e em seguida no mundo do trabalho. Na construção de uma ideologia política de vida que pudesse influenciar nossa sociedade e futuras gerações, estando dentro dela.

O país precisava se industrializar e as definições de rumos de trajetórias políticas e humanitárias deveriam também ser prioritariamente conduzidas pelos trabalhadores. Movimentos Sindicalistas dos Metalúrgicos do ABC liderados por LULA, a Pastoral da Terra - a igreja de Dom Pedro Casaldáliga e Frei Beto, o PCB liderado por Carlos Prestes e a Liga Camponesa liderada por Francisco Julião, PTB de Getúlio e Brizola, CNBB - Dom Evaristo Arns, MST - João Pedro Stédile ..., o Clube dos Engenheiros de São Paulo, o qual em sua maioria defendia a democracia e o desenvolvimento da engenharia brasileira. Foi para mim os anos dourados e do chumbo. Todos esses movimentos foram fundamentais na luta pela construção de uma sociedade civil plural e contra a ditadura militar. Fiz minha parte nesta luta civilizatória como engenheiro metalúrgico e não como fotógrafo, o qual também tinha um forte apelo político e profissional para os jovens da época. O sentimento mais forte foi pela engenharia e não me dediquei mais à fotografia como modelo de vida, mas como uma peça acessória de viagens.

A foto analógica que fiz em Salvador com teleobjetiva de 300mm e ampliada com forte estouro da granulometria, ficou marcada como referência do passado e possibilidades para o futuro. Confesso que gostei do resultado e os curadores da época também. Foi premiada como melhor foto em um concurso em Santos - SP… idos gloriosos anos 70 - não dá para não ser saudosista!!!


O projeto do livro traz traços humanistas do autor, qual o propósito de um livro de retratos?

O Retrato é minha paixão desde sempre…exploro especialmente no livro Retratos da Vida, como o retrato impacta espectadores/observadores - apreciadores da arte fotográfica. A pele como elemento fotográfico constitui a superfície mais profunda do ser, interage com o ambiente transmitindo o néctar da vida e reflete com a luz da imagem capturada, contrastes através dos elementos texturais, da composição e geometria e revela em última análise os desejos silenciosos que o olhar no retrato revela, com palavras não ditas. Esta é a forma mais ousada que meus retratos desejam atingir.

Na exencia é um livro de pesquisa fotográfica com base em retratos - com ênfase na pele corporal, especialmente focado nas expressões texturais, composição, tons…, revelando especialmente como as pessoas fotografadas mostram seu interior e seu olhar para o futuro incerto. Como caminham juntas a Humanidade e a Humildade em busca da luta pela vida... os desejos silenciosos que o olhar revela     


Com o DNA da pesquisa acadêmica, o livro retratos da vida se estrutura com ênfase nas expressões texturais, composição, tons, revelando especialmente o interior e a profundeza do olhar das pessoas para o futuro incerto que os cerca…como caminham juntas a Humanidade e a Humildade e sua História em busca da luta pela vida... seus desejos silenciosos.

Fotografar pessoas que transmitam seu olhar de trabalhador ou empresário, artistas, gente da rua, gente do mar e da terra, explorando como pano de fundo personagens deste mundo biodiverso que vivemos. O grande propósito é causar espanto no observador, sensações que o mundo é diferente do que ele imaginava; como pode ser muito maior do que pensava?…que a arte fotográfica pode ser maior, transformadora, revolucionária e atingir “corações e mentes”.  

                             

Quem é o Orestes fotógrafo? Que visão de mundo carrega no seu olhar?

Uma simbiose entre o pai aviador e a mãe empresária da moda…um pouco de cada influência. Viver no ar cortando os céus, fazendo o que lhe dá prazer acima de tudo. Voar era seu encanto. A mãe com sua estética e esforço pessoal e o prazer de doar, preocupada com os outros em transformar seus clientes com sabedoria estética e carinho. Com essa carga genética me dediquei à aventura de velejar e descobrir os segredos do oceano e me doar como professor universitário, a aprender e ensinar e a orientar alunos e pesquisadores.

Minha visão de vida carrega essa simbiose, agregada pela vivência pessoal de se interessar também pela Ciência e Inovação como professor de engenharia, carregando especialmente nos últimos anos a preocupação com a sustentabilidade do planeta frente os desafios que temos para poder controlar o aquecimento da Terra. Afinal os engenheiros construíram o mundo e agora têm a obrigação de salvá-lo!!!.

A arte fotográfica para mim se detém na perspectiva do olhar… como revelar detalhes das pinceladas feitas pela luz ou, ainda, a essência dela colocada no plano.

 Como você equilibra a presença da técnica e da sensibilidade na sua fotografia?

Vejo a fotografia como arte. A técnica especialmente é como uma ferramenta eficaz para a construção de uma narrativa estética da imagem, a qual transmite sensibilidade para mim…essa é a foto!!! e para o apreciador. 

A composição fotográfica artística se refere também a relações geométricas e matemáticas implícitas, como já desenvolvido pelos gregos e pelo contraste de luz e sombra, especialmente na fotografia P&B, e pela paleta de cores que transmitem contrastes e formas geométricas que revelam as cores da mãe natureza. 

 Entendo que a abordagem de busca de equilíbrio entre técnica e sensibilidade, mais atrapalha do que ajuda a se desenvolver o conceito “razão e sensibilidade”. Sem uma, não se desenvolve a outra…, não existe um sem o outro. Da Vince era cientista, artista, engenheiro, consultor, arquiteto, aventureiro, inovador, visionário; com sua imaginação construiu-se o século XX. Ele tinha todas essas expertises sem contrapor nenhuma à outra, entendendo como se sobrepõem essas habilidades no desafio do momento.   

Por que a preferência de fotografias P&B?

A escolha é pela qualidade imagética que arte fotográfica P&B tem conseguido, criando impactos visuais xxxx; proporcionados pelos gradientes de tons pretos e brancos…é direto, e vai no alvo da emoção, capaz de provocar espanto pela simplicidade da composição de gradientes tonais, pela geometria e pelas texturas estabelecidas com mais evidências…. Na fotografia P&B, o olhar se direciona com mais foco ao entendimento da mensagem passada pela imagem. 

O desafio da P&B se detém no desenho e na perspectiva do olhar; como observar detalhes das pinceladas feitas pela luz e ainda a essência dela colocada no plano.

A fotografia como expressão pessoal, um hobbie, uma necessidade, um diálogo com o mundo?

 Expressão pessoal e desafio de se desgarrar do método de construção do raciocínio cartesiano, do mecanicismo do engenheiro para o pensamento holístico, conseguir enxergar o todo unívoco que habita e sustenta nossa vida - a biodiversidade como fonte componente da evolução. Minha missão pessoal na fotografia é poder entender melhor as pessoas e poder doar algo para elas, como fiz durante minha vida toda orientando estudantes e pesquisadores. Assim, pretendo desenvolver um curso sobre fotografia, onde a principal meta é sensibilizar corações e mentes para mudar o mundo para melhor, mais justo e mais humano, onde a igualdade e a sustentabilidade estejam explícitos na obra fotográfica . 

Enquadrar é excluir?

Pode-se pensar também no oposto que enquadrar é incluir o todo necessário para ter a foto e a mensagem correspondente causando impacto

Dependendo de qual é a métrica, os termos enquadrar e excluir podem ser vistos como contraditórios se pensarmos na métrica cartesiana, onde o objeto excluído pelo enquadramento não pertence a mensagem revelada pela imagem, o excluído deixa de existir. Não é pór acaso que as pessoas quando fotografam pelo celular (especialmente mulheres) miram no espelho para incluí- las!!! 

Uso aqui o argumento que na fotografia enquadrar é incluir, revelar a mensagem transmitida, pois ela contém o significado do todo. A fotografia deve ser vista como holística, onde o todo está presente em cada detalhe, no sentido que a soma dos detalhes individuais é maior que a soma do que foi enquadrado - como já entendido por Aristóteles: o todo é maior que a soma das partes…, e por Caetano “como dois e dois são cinco”  

Quais dores e delícias você carrega no ato de fotografar?

Lembro novamente a música de Caetano “sobre a malícia de toda mulher”…a verdade da fotografia é um dom de iludir, de transmitir e transgredir ao que se sabe e construir a mensagem singular a partir de quem fotografa e para quem aprecia….  

Qual a sua linguagem fotográfica?

Tenho pensado muito nisso e sigo tentando me encontrar com uma linguagem própria autoral: arte na expressão e na comunicação com o mundo, levando uma mensagem imagética que mostra coerência com a vida como ela é, e não como supostamente ela deva ser.  

Quais suas referências na fotografia?

No todo, gosto mesmo é de fotografias boas, com referências que transmitam algo da realidade ou do imaginário. Cito os que mais aprecio: 

- Sebastião Salgado é um fotógrafo que admiro pela sua engenhosidade e criador de mundos para quem aprecia sua arte; muita cultura, imaginação, suor e técnica admirável com suas fotos P&D que criam narrativas da realidade do mundo desconhecido para grande maioria das pessoas 

- Alberto Korda - Em particular pela sua evolução histórica como fotógrafo, da fotografia de moda para a fotografia documental revolucionária cubana, em especial pela foto icônica de Che Guevara; provavelmente o retrato mais visto no mundo.

- Henri-Cartier Bresson - pelas suas fotos de rua com composições primorosas e pela sua lendária frase “suas últimas dez mil fotografias serão as suas piores”  

-Annie Leibovitz - notabilizada por seus retratos que revelam uma relação íntima entre o fotógrafo e o fotografado…um desafio enorme para o retratista

- Ara Güler - O olho de Istambul - fotojornalista com obras fotográfica em P&B que observa sempre o ser humano na paisagem de rua e do meio produtivo

Tempo e imagem, como você descreveria essa relação?

A imagem fotográfica captura o momento associado a cultura de seu tempo e a cultura do fotógrafo. Parto do princípio que o tempo só existe se houver movimento congelado…no caso da fotografia ela consegue capturar o tempo com a imagem criada pelo fotógrafo. Esta relação é biunívoca na medida que um não existe sem o outro 

Onde moram os sonhos?

Na cabeça e no olhar do fotógrafo, que transforma imagem em sonho, ou vice-versa. Os sonhos não envelhecem, mas se transformam em imaginações mais complexas que habitam o universo cultural, ou melhor o imaginário coletivo, que o fotógrafo é capaz de transformá-lo em imagens que podem ser entendidas sem palavras.



Após 55 anos de intensa jornada como engenheiro metalúrgico e posteriormente como acadêmico - mestrado e doutorado na UNICAMP e professor na Engenharia Mecânica e Materiais na UFSC, Florianópolis - tento com muita força e vontade retornar à fotografia, virando mais uma vez a página da vida para um sonho ainda não realizado. Durante meu doutorado desenvolvi trabalhos importantes observando o pequeno mundo que forma os materiais, fotos microfotografia, com a abordagem científica de explorar com mais detalhes o mundo que o olhar não nos revela, chamo de imagética da natureza: imagem que a natureza nos revela com grandes aumentos em microscopia eletrônica e entender que a beleza da composição geométrica, nesse mundo micro ( 10 ]-1 á 10]-5 ); que aprendemos a admirar nas documentações artísticas reveladas pela teoria e práticas da fotografia e pintura - a arte básica da composição imagética: sempre presente no mundo micro como se fosse um bem universal. ****(esclarecer melhor - muito denso!!!) e se repete no universo...

Aos 77 anos tenho como lema a expectativa de planejar meus sonhos além do que realmente possa ser possível para mim - fazer o impossível e depois verificar se era mesmo!.

Neste estágio da vida estou recomeçando e procurando entender os caminhos da técnica e da arte fotográfica, como um novo desafio. Difícil para quem teve um percurso profissional baseado no raciocínio do engenheiro, que tem a objetividade como preceito fundamental e que não conviveu com a subjetividade da formação em artes.

O meu desafio agora nesta seara de novo aprendizado é conseguir entender como mudar o rumo do meu barco (sou também amante da Vela) para o novo desafio que fez eco na minha vida... fazer fotografia - ser fotógrafo e compreender cada uma de suas possibilidades no mundo da arte documental e, também, procurando outros caminhos que a arte fotográfica nos pode proporcionar.

A escolha do tema para o livro foto/texto "Retratos da Vida" visa conhecer melhor nosso povo retratando sua biosociodiversidade com atenção ao seu modo de vida e sua carga cultural e sua identidade, …..: inspirar em Darcy Ribeiro (1995)com seu célebre livro o Povo Brasileiro, em Viva o Povo Brasileiro de João Ubaldo Ribeiro (1984), 100 anos de solidão de GABRIEL GARCIA MARQUES ...

Como referências principais os livros "O Povo Brasileiro... Retrato de todos nós, publicado pela Folha de São Paulo (2024) e Retratos do Brasil Profundo de José Caldas (2010), CUBA Alberto Korda - FIDEL, CHE E HEMINGWAY, BOB MARLEY referências latinas e caribenhas QUE ACREDITAVAM NO SOCIALISMO e foram fundamentais para construir novas imagens e narrativas que me inspiraram na construção do livro Retratos da Vida*...pele, tons e texturas, com a visão de Humanidade, que rapidamente perdemos

*Retratos da vida ("les uns et les autres" ), filme de CLAUDE LELOUCH






27 Jan 2026

Retratos roubados - os desejos silenciosos no olhar

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